
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Contexto histórico
As formas de expressões sociais barrocas (artes plásticas, literatura, música e etc) possuem como marcos estilísticos o exagero, a dualidade e a religiosidade. Pois, os movimentos artísticos da época tentam expressar a tensão gerada pela fusão do inconciliável.
Também nessa época, o regime político que vigorava na Europa era o Absolutismo. Este foi o regime da centralização no qual os soberanos passaram a concentrar todos os poderes, ficando os cidadãos excluídos de qualquer participação e controle na vida pública.
O mercantilismo foi a base da economia, subordinada à política, com forte taxação nas importações, busca de mercados e aumento do território através de guerras que empobreciam o país e os pobres, em contraste com a opulência nas cortes e palácios.Como exemplo, temos o Palácio de Versalles que demonstra esse enorme contraste.
Obs: O termo "Barroco" advém da palavra portuguesa homônima que significa "pérola imperfeita", o que já uma contradição, pois a pérola simboliza algo belo e perfeito, e sendo aquela imperfeita torna-se uma antítese.
O barroco é um movimento dionisíaco e de transição (divisão):
teocentrismo→antropocentrismo.
Características do Barroco conceptista
Como começou o barroco no brasil?
Um importante representante do conceptismo
Padre Antônio Vieira
Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.
Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português.
Podemos dividir sua obra em:
Profecias – constam de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum, em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.
Cartas – são cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.
Sermões – são quase 200 sermões. De estilo barroco conceptista o pregador português joga com essas idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.

A obra acima é de autoria de Rembrandt, um artista holandês que viveu no momento barroco, de 1606 a 1669.
Em sua pintura podemos perceber características marcantes da arte barroca. Como por exemplo o jogo entre o claro e o escuro, o que era muito visto nas telas desta época, pois marca as contradições existentes. Também podemos reparar nas feições marcadas das pessoas em volta do corpo. Este semblante de preocupação, que é a testa franzida, mostra a tensão barroca em tentar fundir pensamentos divergentes. Além destas características, o cadáver no centro da tela tem um significado maior, pois ele mostra a efemeridade da vida, um pensamento que rondava na esfera barroca. Como já dizia uma frase deste movimento: Memento mori, ou seja, lembra-te homem que morrerás um dia.
Trecho do livro “A eternidade e o desejo”, de Inês Pedrosa.
[Clara] "(...) No nosso país [Portugal] só os mortos são amados, se é que se pode chamar amor à invocação regeneradora da voz dos mortos. Dizes, com escuridão na voz:
- Pouca terra, muita sombra.
A terra mais ocidental de todas é a Lusitânia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura, porque vivem alí menos, ou morrem mais os homens? Não; se não porque alí vão morrer, alí acabam, alí se sepultam, e se escodem todas as luzes do firmamento. (...) alí se afogam o raios, alí se sepultam os resplendores, alí desaparece e perece toda aquela pompa de luzes."
O diálogo entre as personagens se correlaciona com o sermão do Pe. Antônio Vieira, em relação ao tema e à vertente seguida pelo padre.
Clara comenta sobre a imortalidade de figuras heróicas lusitanas, as quais marcaram Portugal, em sua época próspera, e continuam no imaginário coletivo. Pe. Vieira se refere a esses heróis como seres iluminados, que ao morrerem carregaram para suas sepulturas toda a "pompa de luzes", ou seja, a época de glória de Portugal.
Além disso, ambos mostram o pessimismo e o sentimento barroco da efemeridade da vida (Memento mori, que significa “Lembra-te, homem, que morrerás um dia")
Música contemporânea que dialoga com o Barroco
Lenine
Composição: Nelson Cavaquinho / Guilherme de Brito / Alcides Caminha
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Que eu quero passar com a minha dor
A canção de Lenine (cantor contemporâneo ) dialoga com a literatura barroca, pois apresenta características como o culto ao contraste, pessimismo e o fusionismo. São utilizadas antíteses ("sol" e "lua", "sorriso" e "dor"), o eu-lírico também tenta fundir elementos divergentes, como flor e espinho, e marca o poema com sua tristeza, mostrando o pessimismo ("A minha dor e os meus olhos rasos d'agua" ).
No ''youtube'' : http://www.youtube.com/watch?v=1fksMym8Eq8
Bibliografia
http://www.wikipedia.com/
http://www.google.com/
http://www.suapesquisa.com/barroco/
http://literarizando.blogspot.com/2006/03/cultismo-e-conceptismo.html
http://www.vidaslusofonas.pt/padre_antonio_vieira.htm
http://www.ultramix.com.br/poesias/literatura/barroco.php
www.geocities.com/Athens/Atrium/2466/sermoes
Livro "A eternidade e o desejo" de Inês Pedrosa
Livro didático, "Literatura Brasileira", Maria Luiza M. Abaurre e Marcela Pontara