(Diálogo entre as personagens Clara e Sebastião e trecho do sermão do Pe. Vieira, também retirado do livro citado). Esse trecho foi retirado da página 85 e 86 :
[Clara] "(...) No nosso país [Portugal] só os mortos são amados, se é que se pode chamar amor à invocação regeneradora da voz dos mortos. Dizes, com escuridão na voz:
- Pouca terra, muita sombra.
A terra mais ocidental de todas é a Lusitânia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura, porque vivem alí menos, ou morrem mais os homens? Não; se não porque alí vão morrer, alí acabam, alí se sepultam, e se escodem todas as luzes do firmamento. (...) alí se afogam o raios, alí se sepultam os resplendores, alí desaparece e perece toda aquela pompa de luzes."
O diálogo entre as personagens se correlaciona com o sermão do Pe. Antônio Vieira, em relação ao tema e à vertente seguida pelo padre.
Clara comenta sobre a imortalidade de figuras heróicas lusitanas, as quais marcaram Portugal, em sua época próspera, e continuam no imaginário coletivo. Pe. Vieira se refere a esses heróis como seres iluminados, que ao morrerem carregaram para suas sepulturas toda a "pompa de luzes", ou seja, a época de glória de Portugal.
Além disso, ambos mostram o pessimismo e o sentimento barroco da efemeridade da vida (Memento mori, que significa “Lembra-te, homem, que morrerás um dia")
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