quarta-feira, 15 de outubro de 2008

LINHA DO TEMPO


Contexto histórico

O barroco surge em um período histórico (desde meados do século XVI até ao século XVIII) em que a humanidade encontra-se em um entreposto, representado pelos contrastes da tentativa de conciliar pensamentos divergentes. Em um âmbito estava presente a crença e a tentativa de reavivar a fé medieval com valores teocêntricos impostos pela Igreja ( contexto da Contra Reforma ); de outro a linha de pensamento renascentista que valorizava a razão e o homem.
As formas de expressões sociais barrocas (artes plásticas, literatura, música e etc) possuem como marcos estilísticos o exagero, a dualidade e a religiosidade. Pois, os movimentos artísticos da época tentam expressar a tensão gerada pela fusão do inconciliável.
Também nessa época, o regime político que vigorava na Europa era o Absolutismo. Este foi o regime da centralização no qual os soberanos passaram a concentrar todos os poderes, ficando os cidadãos excluídos de qualquer participação e controle na vida pública.
O mercantilismo foi a base da economia, subordinada à política, com forte taxação nas importações, busca de mercados e aumento do território através de guerras que empobreciam o país e os pobres, em contraste com a opulência nas cortes e palácios.Como exemplo, temos o Palácio de Versalles que demonstra esse enorme contraste.

Obs: O termo "Barroco" advém da palavra portuguesa homônima que significa "pérola imperfeita", o que já uma contradição, pois a pérola simboliza algo belo e perfeito, e sendo aquela imperfeita torna-se uma antítese.
O barroco é um movimento dionisíaco e de transição (divisão):
teocentrismo→antropocentrismo.

Características do Barroco conceptista

O Barroco se divide em duas vertentes que se opõem: o cultismo e o conceptismo. Ambos buscam a mesma finalidade, o refinamento da linguagem, porém elas se diferenciam no caminho traçado. O cultismo busca a agudeza, e o conceptismo, o engenho. O Conceptismo é marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais escritores do conceptismo foi o espanhol Quevedo, do qual deriva o termo Quevedismo. Os Conceptistas pesquisavam a essência íntima dos objetos, buscando saber o que são, visando à apreensão da face oculta, apenas acessível ao pensamento, ou seja, ao conceitos. Assim, a inteligência, a lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos sentidos, impondo a concisão e a ordem, nos quais reinavam a exuberância e o exagero. Logo, é usual a presença de elementos da lógica formal.

Como começou o barroco no brasil?

No Brasil, o período foi marcado por novas diretrizes na política de colonização, e estabeleceram-se engenhos de cana-de-açúcar na Bahia. Salvador, como capital do Brasil, transformou-se em um núcleo populacional importante, e como consequência, um centro cultural que, mesmo timidamente, fez surgir grandes figuras, como Gregório de Matos e Padre Antonio Vieira. O Barroco Brasileiro teve início em 1601, tendo como obra significativa, Prosopopéia, de Bento Teixeira, terminando com as obras de Cláudio Manuel da Costa, em 1768, uma introdução ao Neoclassicismo.

Um importante representante do conceptismo


Padre Antônio Vieira

Vieira nasceu em Lisboa, em 1608. Com sete anos vem para a Bahia; em 1623 entra para a Companhia de Jesus. Quando Portugal se liberta da Espanha (1640), retorna à terra natal, saudando o rei D. João IV, de quem se tornaria confessor. Politicamente, Vieira tinha contra si a pequena burguesia cristã, por defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos; os pequenos comerciantes, por defender um monopólio comercial; os administradores e colonos, por defender os índios. Essas posições, principalmente a defesa dos cristãos-novos, custam a Vieira uma condenação pela Inquisição: fica preso de 1665 a 1667. Falece em 1697, no Colégio da Bahia.
Na
literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português.
Podemos dividir sua obra em:


Profecias
– constam de três obras: História do futuro, Esperanças de Portugal e Clavis prophetarum, em que se notam Sebastianismo e as esperanças de Portugal se tornar o Quinto Império do Mundo, pois tal fato estaria escrito na Bíblia.


Cartas – são cerca de 500 cartas, que versam sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre a Inquisição e os cristãos-novos.

Sermões – são quase 200 sermões. De estilo barroco conceptista o pregador português joga com essas idéias e os conceitos, segundo os ensinamentos da retórica dos jesuítas. Um de seus principais sermões é o Sermão da sexagésima (ou A palavra de Deus), pregado na Capela Real de Lisboa em 1655.



Pinturas barrocas :


A obra acima é de autoria de Rembrandt, um artista holandês que viveu no momento barroco, de 1606 a 1669.
Em sua pintura podemos perceber características marcantes da arte barroca. Como por exemplo o jogo entre o claro e o escuro, o que era muito visto nas telas desta época, pois marca as contradições existentes. Também podemos reparar nas feições marcadas das pessoas em volta do corpo. Este semblante de preocupação, que é a testa franzida, mostra a tensão barroca em tentar fundir pensamentos divergentes. Além destas características, o cadáver no centro da tela tem um significado maior, pois ele mostra a efemeridade da vida, um pensamento que rondava na esfera barroca. Como já dizia uma frase deste movimento: Memento mori, ou seja, lembra-te homem que morrerás um dia.

Trecho do livro “A eternidade e o desejo”, de Inês Pedrosa.

(Diálogo entre as personagens Clara e Sebastião e trecho do sermão do Pe. Vieira, também retirado do livro citado). Esse trecho foi retirado da página 85 e 86 :

[Clara] "(...) No nosso país [Portugal] só os mortos são amados, se é que se pode chamar amor à invocação regeneradora da voz dos mortos. Dizes, com escuridão na voz:
- Pouca terra, muita sombra.

A terra mais ocidental de todas é a Lusitânia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura, porque vivem alí menos, ou morrem mais os homens? Não; se não porque alí vão morrer, alí acabam, alí se sepultam, e se escodem todas as luzes do firmamento. (...) alí se afogam o raios, alí se sepultam os resplendores, alí desaparece e perece toda aquela pompa de luzes."

O diálogo entre as personagens se correlaciona com o sermão do Pe. Antônio Vieira, em relação ao tema e à vertente seguida pelo padre.
Clara comenta sobre a imortalidade de figuras heróicas lusitanas, as quais marcaram Portugal, em sua época próspera, e continuam no imaginário coletivo. Pe. Vieira se refere a esses heróis como seres iluminados, que ao morrerem carregaram para suas sepulturas toda a "pompa de luzes", ou seja, a época de glória de Portugal.
Além disso, ambos mostram o pessimismo e o sentimento barroco da efemeridade da vida (Memento mori, que significa “Lembra-te, homem, que morrerás um dia")

Música contemporânea que dialoga com o Barroco

A flor e o espinho
Lenine
Composição: Nelson Cavaquinho / Guilherme de Brito / Alcides Caminha


Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Que eu quero passar com a minha dor

A canção de Lenine (cantor contemporâneo ) dialoga com a literatura barroca, pois apresenta características como o culto ao contraste, pessimismo e o fusionismo. São utilizadas antíteses ("sol" e "lua", "sorriso" e "dor"), o eu-lírico também tenta fundir elementos divergentes, como flor e espinho, e marca o poema com sua tristeza, mostrando o pessimismo ("A minha dor e os meus olhos rasos d'agua" ).

No ''youtube'' : http://www.youtube.com/watch?v=1fksMym8Eq8






Bibliografia
http://www.wikipedia.com/
http://www.google.com/
http://www.suapesquisa.com/barroco/
http://literarizando.blogspot.com/2006/03/cultismo-e-conceptismo.html
http://www.vidaslusofonas.pt/padre_antonio_vieira.htm
http://www.ultramix.com.br/poesias/literatura/barroco.php
www.geocities.com/Athens/Atrium/2466/sermoes
Livro "A eternidade e o desejo" de Inês Pedrosa

Livro didático, "Literatura Brasileira", Maria Luiza M. Abaurre e Marcela Pontara